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O Que é a Alma?

Uma das perguntas mais intrigantes é esta – O Que é a Alma?

A palavra hebraica no Antigo Testamento é “nephesh” e aparece 755 vezes sendo traduzida com diversidade de interpretações conforme o contexto:

  • Vida (Gn 9.4,5; 35.18; Sl 31.13),
  • Pessoa (Gn 14.21; Dt 10.22;),
  • Cadáver (Nm 9.6);
  • Apetite (Ec 6.7)
  • Coração (Êx 23.9)
  • Ser Vivente (Gn 2:7)

Observando estes textos podemos dizer que de imediato que o termo “Alma” é usado para pessoas vivas e, portanto, mortais. A palavra foi utilizada para demonstrar a totalidade da personalidade do homem, sem distinguir o corpo e a alma na maioria das vezes.

Nesta pequena exposição, devemos olhar atendo para três palavras no hebraico que são traduzidas da mesma forma:

  1. Neshamah – significa “respiração”
  2. Ru’aḥ – também significam “respiração” e
  3. Nefesh – referem-se à pessoa ou mesmo ao corpo (cf. Nm 6: 6).

Filosofia Medieval Sobre a Alma:

Se dermos uma olhada na filosofia judaica medieval, encontraremos exemplificações para se ter uma ideia:

  • A Alma é o rei que governa o corpo;
  • É a organização e percepção do corpo;
  • Pode ser comparada ao cavaleiro com seu cavalo (guiando);
  • Ao capitão de um navio (guiando).

Outros filósofos medievais, já achavam que a alma do homem seriam similares à alma das plantas e dos animais

Ensino Rabínico Sobre O Que é a Alma

A teologia judaica não tem visões claramente elaboradas sobre o relacionamento entre corpo e alma, nem sobre a natureza da própria alma.

Mas, para os rabinos talmúdicos, a alma é, em certo sentido, claramente separada do corpo e a prova cabal disso é que Deus soprou a alma no corpo de Adão (Gênesis 2:7; Ta’an. 22b).

Na morte, deixa o corpo apenas para se unir a ele novamente na ressurreição (Sanh. 90b-91a).

Entre as orações matinais judaicas ao acordar está:

“Ó meu Deus, a alma que me deste é pura; você o criou, o formou, e o soprou em mim. Tu a preservas dentro de mim, e a tomarás de mim, mas a restaurará para mim no futuro” (Hertz, Prayer, 19).

O Midrash coloca de maneira um tanto vaga – que o corpo não pode sobreviver sem a alma – nem a alma sem o corpo (cf. Tanḥ. Va-Yikra 11).

Apesar de escritos rabínicos de que a alma após a morte está em um estado de repouso (Shab. 152b), o que prevalece na maioria é que a alma é capaz de ter uma vida totalmente consciente quando desencarnada (ver, por exemplo, Ket. 77b; Ber. 18b-19a). É mesmo sustentado que a alma preexiste ao corpo (12b);

O aspecto elíptico e praticamente orientado do ensino rabínico é destacado ainda mais na visão de que a alma é um hóspede no corpo aqui na terra (Lev. R. 34: 3), pois isso significa que o corpo deve ser respeitado e bem tratado pelo bem de seu convidado de honra.

O Corpo e sua alma, juntos, formam uma unidade harmoniosa.

Assim como Deus enche o mundo, vê, mas não é visto, a alma enche o corpo, vê, mas não é visto (Ber. 10a).

De acordo ainda com os rabinos preeminentes, como Deus originalmente deu ao homem sua alma, é para Deus tirá-lo e não o próprio homem. Assim, suicídio, eutanásia e qualquer coisa que apresse a morte são proibidos (Jó 1:21; Av. Zar. 18a e Tos; Sh. Ar. YD 345).

O homem será julgado por seus pecados uma vez que estes contaminam a alma; de fato, sua alma será seu acusador.

O corpo não poderá alegar que foi a alma que pecou, ​​nem a alma culpar o corpo, pois na ressurreição Deus devolverá a alma ao corpo e os julgará como um.

A Alma sinaliza ser um estranho num mundo inferior, uma vez que ela não se prende à terra após a morte do corpo, mas busca seu lar superior, pois nesse pensamento, ela sobrevive à morte do corpo devido à sua superioridade estrutural.

Platão e Aristóteles – O Pensamento Grego

Platão e Aristóteles posteriormente, demandadores do pensamento grego, mesmo sem dar o foco teológico, entendiam que a alma do homem estava relacionada às substâncias celestes e vários outros influenciadores eram simpáticos a esse ensino.

Deleitou-se que cada alma é criada a partir do nada por Deus – o único ser eterno – no momento da conclusão da formação do corpo, e que corpo e alma formam uma unidade unida nesta vida e, eventualmente, em a seguir.

A alma exige que as boas ações do corpo aperfeiçoem sua substância peculiarmente imaterial e celestial, assim como o corpo precisa das faculdades de sensação e razão que a alma fornece.

As Escrituras Sagradas e o Que é a Alma

Os Escritos Sagrados revelam que o homem foi criado imortal e para se manter assim, ele deveria obedecer a Deus se desviando da árvore do conhecimento do bem e do mal.

O homem é composto de alma e corpo, embora em certos casos o termo “espírito” seja acrescentado. Leia também nosso artigo sobre Espírito Alma e Corpo

No ensino das Escrituras, o homem é visto como a coroa de uma criação “muito boa” (Gênesis 1.31), uma vez que em sua forma original, seu corpo deve ser guiado pela alma, de modo a santificar o físico.

A Bíblia aprecia a aptidão física e a beleza, enquanto regula o comportamento sexual e proíbe a mutilação física.

Tanto a alma como o espírito são colocados em contraste ao corpo para significar a parte incorpórea do homem. Existe, porém, uma distinção entre alma e espírito

A palavra alma é usada para expressar apenas a parte imortal do homem, mas também para significar a “pessoa”, como nos textos:

  • Gênesis 46:26: “Todas as almas que vieram com Jacó ao Egito”.
  • Em 1 Pe 3:20: “Oito almas se salvaram”
  • (Ez 18:4): “A alma que pecar, essa morrerá”
  • Jonas 1:14: “… não pereçamos por causa da vida deste homem”

No Novo Testamento a mesma palavra grega é usada tanto para alma como para vida:

“Porque aquele que quiser salvar a sua ‘vida’ (ou ‘alma’) perdê la á, e quem perder a sua ‘vida’ (ou ‘alma’) por amor de mim, acha-la á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua ‘alma’ (ou ‘vida’)? ou que dará o homem em recompensa da sua ‘alma’ (ou ‘vida’)?”

A alma possui desejos e apetites próprios, sem mesmo ter influencias de espírito – basta analisar o homem rico referenciado por Jesus: “E direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos: descansa, come, bebe e folga” (Lc 12:19). Naquela noite sua “alma” foi pedida. A salvação da alma não pode ser separada da salvação da pessoa.

O espírito é distintamente a parte mais elevada do homem. Ele identifica a consciência, a individualidade, e distingue o homem das criaturas inferiores na criação.

A Palavra de Deus é a única que tem habilidades para dividir as intenções e manifestações de ações ou sentimentos provocados pela alma e pelo espírito de um homem.

Essa tarefa não é facilmente percebida pela mente humana, mas é possível determinar suas manifestações com a ajuda do Espírito Santo para que possamos melhor trabalhar nossa pessoa trina (espírito, alma e corpo)

Precisa haver um trabalho discernido e focado nas três essências do nosso ser como rogou o apóstolo Paulo aos Tessalonicenses para que:

O espírito (o qual é provavelmente mostrado como o lugar em que Deus opera) como também a alma e o corpo pudessem ser santificados. (1 Ts 5:23).

Já no livro aos Hebreus, lemos dos “espíritos” dos justos aperfeiçoados; seu lugar é com Deus por meio da redenção.

Esse texto de Hebreus, demonstra aparentemente, a pessoa separada do seu corpo em um lugar especial.

Havendo o cristão recebido o Espírito Santo como uma fonte de vida em Cristo, ele é exortado a:

  • Orar com o espírito,
  • Cantar com o espírito,
  • Andar no Espírito,

De forma que em alguns casos torna se difícil distinguir entre o Espírito de Deus e o espírito do cristão.

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